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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

TRANSATRAVESSADOS

29 de agosto de 2013

Bushido

Emboscar a rima, 
lago que transborda, 
é atravessar por cima 
como quem não acorda. 

Para forjar adorno ardente, 
forno, fole, martelo, bigorna. 
Para que lhes degole em duelo 
imerso em estocar pela frente 
o verso do que se entorna... 

Na batalha, enfoca a aorta: 

Aço de espada fria, 
antes esquenta 
para esfriar 
o que 


23 de agosto de 2013

Serpenteologia

Imagine quem criou 
sem rabo esse Adão 
que logo criou Deus. 
Torpe criava serpente 
(em lugar da costela) 
criada a comer maçã. 
Conheceu Eva a bela 
(essa que é sua irmã) 
e só fodem de frente. 
E aí Deus criou Satã 
esse tão nobre diabo 
que criou a religião. 


15 de agosto de 2013

Da posteridade insustentável do resto


É drástico isto que prenso, antibactéria,
e qualquer capricho para inédita glória
eu destaco como se meio mais plástico,
como se cada erro atual já fosse sólido
divisor de dividendos vitais se predigo
quociente cujo úmido resto não será o estrume,
do imenso saco de matéria consumida,
com o lixo que a fétida história sempre esvazia
nesse aterro imortal do pútrido futuro,
ainda o mais antigo e escuro
chorume da vida
é poesia.



8 de agosto de 2013

4

A manhã de primavera 
convida a vir para fora 
sentir uma brisa esguia 
como tanto dizia o avô 
ler em sua hora o calor 
que indeniza da espera 
e faz brotar o que a flor 
quer dizer com o canto 
a crescer em Rimbaud: 
de cordial a carnal, o rouxinol sob o sol. 

A tarde de verão 
cuja perspectiva 
caso não se note 
era bem que arde 
se chora madura 
do que foi botão 
vem braço dado 
e emoldura a via 
com Caillebotte: 
poças rasas de passos por baixo da chuva suja. 


A noite de outono 
a ventar o espetro 
da má companhia 
ou raro abandono 
na falta desse laço 
pó de ser ninguém 
que é música vazia 
a alentar o séquito 
por trás de Cobain: 
alguma corda de aço em seu braço sem dó. 

A madrugada de inverno 
precipita o seu nó futuro 
sobre o cabelo tão níveo 
no abotoar do terno de lã 
que visita ainda acamada 
leva das dores ao buraco 
o sofrível quarto escuro 
mas belo a restar no fim 
dos cafés com Bergman: 
violoncelo tabaco, cobertores carmim.