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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

TRANSATRAVESSADOS

14 de fevereiro de 2013

Dentro embora

A sorte, discussão dos historiadores 
(logo ao fundo), dá lugar 
de palavra a este poema. 
Deus, em sonho (rudeza do animal), 
falava pelos cotovelos, de si para si, 
e só este último nada compreendeu. Tão tépido tempo travou. 

Nesse seu instante de vertigem, apanhou a sílabas 
e se achegou a elas, benevolente, 
mas a tremenda resposta (cólera) 
do algum valor filosófico é o que acrescenta com certa pressa: 
foi como se o tivessem rompido, o corpo que se partiu de frio, 
em um mágico alfabeto de fato – castigo eterno para os maus – 
em que ele podia ser habilidoso 
e o que sentiu naquela faquinha 
e o que selvagem tem me usado (oculto seu nome) 
para o que confrontou o interno 
com o dogma, e se ouvirá a voz 
querida deles na fumaça agitada, 
não havia senão o pouco assim, ou nos decifrando. 

O que já se iluminou submetido a mil operações mágicas, 
o que dá para anos de indecisão, procura (não decência). 
Refiro-me aqui à estrita noção – paradoxal: 
a crítica em geral foi seu cinzel. 
Ele considerara cada alternativa, desde as letras 
destinadas a nos castigar diante das suas aspas (seus chifres), 
até certos períodos justificados,
passando pela corrente de saliva a se urdir no que bebo 
para engolir com fé o placebo.