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1 de agosto de 2013
18 de julho de 2013
,
esquecer quem sou
de saber só não ser
igual ao pó que lês
se pode ler no grão
lês que ao pó igual
nem vou, nem vão
11 de julho de 2013
parabolae
lagos
de sentido e alcatrão,
saídas
de falsas fechaduras,
nódoa,
poças de escuridão,
tipos
de arcaicas máquinas,
cabeças
com chifres, hastes,
celibatos
de linhas impuras,
manchas
de vácuo ou nada,
oposto
essencial, contrastes,
limiares
para furar páginas,
arca
anárquica de ateísmos,
monólito
ao todo, em cada,
as
palavras são vis abismos
25 de abril de 2013
anatemancipação
toda metáfora é metade
e
dura fura cada áfona plêiade que evade
que
chic é ser maudit Poète
a declamar com chiclete
se vós exilados de Babel
ouvis nesta voz de papel
que
toda paráfrase parafusa
e gira e pira cada crase se
abusa da musa
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4 de abril de 2013
Emilly
A minha mulher tem dois éles
e se desloca elástica em mim
e voa
para dentro do próprio sangue
por
fora do corpo e de si
quando
me ama
e
dança.
Jovem virgem que lê e dança a
mais bela
minha namoramada mulher
quer me desposar
quer-me na primavera.
Quero-lhe o hímen, a mão, o sim e
o sim.
Quero-a então para sempre só
para mim.
Tira-me do sério (ó Destino)
e para
dançar fora dos livros. E ela lê e me lê com éles nos óculos-
ósculos
tranquilométricos
e me ama. Amo-a. Ela tem asas
nos olhos e nos éles do meu amor
sem calcinha. Ela é só minha.
Bela
musa virgem se isso é possível não é possível depois de mim:
ela a quem sempre amar à
primeira vista,
sangrada
pelo poeta-plateia,
volta
ao corpo a escrever nua no ar
o poema
que com dois éles me cala
ilegível
no infalível fim que se infla
com quem
é o escolhido a deflorá-la.
Ela a
mulher artista a melhor conquista a única que desejo cantar
pois
este fauno alcançou sua ninfa.
14 de março de 2013
aminhaversão
eu odeio a poesia!
para tanta
alegria,
o meio: é preciso
um sorriso
no ou-
vido
(bétula,
bálsamo),
consolação;
alívio
o vinho
generoso,
velho e
excelente.
olho no todo
pre-
cioso
(de ciúmes,
zelo),
como pelo desejo
o quê mais intacto,
mas ainda
quente,
se jamais lia
o que
après cio e re-seio.
poesia? eu a
odeio.
7 de março de 2013
Seres, Sóis e Sinais
Sonho em me aculturar
por um contato estreito
com um amigo primitivo,
porém não consigo achar
o sujeito de estudo vivo.
E entretanto,
infelizmente,
há mais morto
do que vivente
e posso herdar,
na era moderna,
somente a cultura
daquele velho horto
escrita na caverna-lar
que figura em seu canto.
Ir pelo bonito sítio
rupestre
repleto de estranhos
petróglifos
a céu aberto e parcialmente
submerso
em afloramentos rochosos
areníticos, graníticos.
Ler em páginas de pedra
os sonhos esquecidos,
fotodocumentados,
georreferenciados,
uma vez escritos diante
do fogo
no escuro antigo do
tempo.
“A arte primitiva requer
restauro?”
“De origem indígena
pré-colonial,
é a forma pré-histórica
de comunicação visual
alheia a nossa era
pós-histórica?”
“As linguagens
gráfico-simbólicas
da comunidade autora
serão tão hiperbólicas
como uma nova arte
promissora?”
Interrogava-se o Saussuressauro.
Na caverna
nada o-
mito.
Na caverna
nada o-
mito.
28 de fevereiro de 2013
As linhas
Se
você acha que eu nasci ontem, está certo, hoje disse,
e, pelas minhas mãos, não morrerei amanhã, de velhice.
e, pelas minhas mãos, não morrerei amanhã, de velhice.
Lê-se
apenas um conselho estilístico para quem escreve:
seja breve.
seja breve.
6 de dezembro de 2012
este poema sobre a cama
com todo o seu verso deitado
nos lençóis em folha
essa musa de palavra dada por
literatura
cumpriu ser despida de
prosa
e lida ao pé da letra da cama
da página à escolha
porque é bem feita de
metáfora a gostosa
a olho nu tesuda poesia
pura
penetrável por todos os lados
e em todos os sentidos obscenos
com ritmos e metros rimados
é uma heautontimoroumenos
se joga como um lance de dados
prova em si todos os venenos
o mar íngreme das
escaladas
no trajeto do sol de
lentejoula
a eclipsar réplicas
lar de líquenes as
namoradas
cujo muco e dialeto de
crioula
entendo no dente
um par de ímpares
baforadas
no suco concreto de
papoula
para o ápice épico
e cada quase êxtase
conjurado no sexo
dentre as rugosas
separa lisa se paralisa
no pau do amado em anexo
quando com todo teu ventre
gozas
essa frase com ênfase que te
simboliza
em delírio curtido em
martírio invertido
na luminosa figura na
numinosa altura
da macabra queda da cama
quebrada
21 de julho de 2012
Lido com teus olhos
Entre a aflição de
sorver vertigens e o prazer de insuflar miragens
não possuo tempo de
dormir e apenas sonho
porque a minha
paciência latejando observou
o esvaziar de seus
olhos até não mais não ver.
Nada aparece dentro
embora tanto seja visto
e pela leiga
vidência dos que olham ao redor
diversas vezes em
pleno silêncio de um cimo
ouço (essa voz
cega
ler) e sei
ser usado.
15 de junho de 2012
Transatravés
Sente a tração textual
este leitor ontológico e mamífero:
seus olhos de ventania com fome,
e a pintura, sua irmã,
diriam estas ideias com o formato das
cores; e nós, páginas,
afirmação própria de escuros sons,
tatearíamos no tempo outra ficção
revinculada ao som de nosso nome.
Dito bem menos grego do que falaria um
copo d’água,
com nenhum outro tema de ficções,
conceito de dúvida, fúria ou mágoa,
cada minuciosa cor que não é nada,
como imortais mudariam de pensamento e de
paixões.
E se a língua em que se exercitava no jogo
saísse para buscar alguma resposta
e no erro lambesse os dados a lhes besuntar
melhor vício,
encontraria remédio a humanidade
ou bem astros por trás de seu rosto
que sem dúvida questionaria ainda a fundo.
Recomponha tua figura,
porque não se referia a conceitos
abstratos,
a chamativa cenografia que outro lê “amor”
e se deixa iniciar pela casa deserta
a partir dos labirintos de tabloides,
mas em começar sua carreira com o sonho,
órgão não oficial de alguma seita de pedra
pois nos alimenta a voz do talvez
invisível.
Aí aprendeu o pouco latim de um rito
elementar,
mas algo nele, como era de se esperar,
estava fora de época: a sua língua era?
Alta era a tarde, e esta pedra como a obra de todos,
só fazia ainda indagar sobre Deus,
ou nem mais quem é nem o que é,
mas já onde se acha e como evitar,
se em alguma escadaria de templo,
se nesse inumerável pó do planeta,
se em cada própria questão, como “eu sou pergunta”.
Estávamos nos anos finais de um século prestes a reincidir,
e, logo depois, imersos na experiência mesma do se repetir.
Saí em busca de meu crepúsculo
como serão na recordação os rostos com uma rua,
esta secreta possessão inocente, de puro músculo,
se às vezes a tentação de traduzir para verdadeiro
trai-me em português brasileiro:
jamais se possua!
Conservei o meio natural,
já que a verdade é que existe o caráter nele,
obtendo qualquer efeito como de revelação
e, detrás do indivíduo, ninguém verdadeiro
senão certo estado da arte
que tem seu preciso lugar em não sair dele
ou no nunca aprofundá-lo.
E o estilo de todos os mestres confirmou a sua suspeita.
Quiçá não por meio, mas inteiramente maneiras do cantador,
no caso um de modesto dialeto,
homens e mulheres tiveram na mão este interlocutor humano
que invocou (com as máscaras) sua alma, a de ser a descer só
nesta sua experiência de mente impressa.
Um rascunho escritor no início é onírico e vaidosamente bruto,
ao qual terá dado razão se aceitou tal destino
e, a poder, vazão,
e só houve nele, ao despertar, os idiomas de sob suas pálpebras,
inculto ainda, e nem sequer um banto ou tupi,
o que para nós daria na mesma,
mas o primitivo não podia estar entre paredes,
pois a eternidade deste mundo é muito vulgar
para a complexidade das feras.
E seus palavrões não sabiam cessar (e de sono eu não comento,
não para desonra dessa imaginação
cuja especialidade eram os porquês, de interrogação sua pose),
e aí renunciou ao como pelos quês,
e se disse o que dito, o depoimento emitido no outono de 2012.
Sua orelha está onde houver música,
essa sentença encantada de demônio,
vertida e replicada por uma verdade
que desde sempre esteve subjacente
às mil falsas senhas com que sonhas,
e sua noite, uma vez desensurdecida, toca-nos a boca pequena,
e a nos beijar a cantilena
a sua língua entregou-se à prática número dois,
para a qual não podia saber estar predestinada.
E, íntima vítima, exagerou gerações,
já que o passado e o futuro em algo pressentidos
na divisão da visão levada ao termo,
induzidos a isto talvez pelo ser todo,
no início tantos anos multiplicaram até o infinito,
porque a máquina o fez vir com pretexto inverso
àquele insuspeito que habita o eleito.
Certa vez substância terna, nossa, esta voz imanente, carnal,
enfiou um de seus inúmeros braços na página da minha testa
podendo significar aqui um monstro,
e atraiu-me para sentir tal inconsútil
que sentado áspero, acocorou a obra
como no ar outro véu de superstição
ou menos, uma sombra,
ou este silencioso livro (ruído negro) origina suas sensações,
algum fogo e logo certa ideia de dor
e calor e luz, e mais luz.
Parte imortal, iniciou-o este tal não-método no todo-antídoto,
uma mitologia simplíssima de besta
que orate fez o primeiro movimento
desordenar o divã a divagar seu afã
como escolas abertas da nova idade,
quando celebraremos o nosso ofício interno,
aonde poderemos ser um, e levados
a última potência,
pois só despertaremos por distração,
o que aqui se afirmou sem metáfora, que livre depreender-se-ia,
que isto feria não,
euforia.
E não sede mora onde ocupo pouco, causo liquefeito,
a mão se demora nas cordas e palavras cantam greve
acompanhando-se à guitarra, com sol e dó das coisas,
bebida babélica nas molas do salmo ou do impossível
com que passarinho faz escalas entre nossas pestanas
pois já não tinha sentido para as repetições do horário
pois isso excederia a nossa incalculável compreensão,
o que, previsivelmente, seria tão apenas inacreditável
e as duas imagem, segundo se sabe, são uma só coisa.
E, ao contrário,
este meu trecho de conversa a oeste
acontecia durantemente as coisas em outras palavras:
e já aconteceu,
sempre,
no liso espelho de gravíssimo cenho
cuja secreta estranheza
(de menos um realismo, entrevisto onde o procuram)
de patafísica a nos indicar a perfeita prisão de tempo
na matéria do copo, pela errada circunstância da hora
que tomada de um gole,
abusou de mim, este tu de propósito
que cumpre suprir ao tom ausente com o tom silente
da imagem e do som e da ideia que possam ser úteis,
e não fatuidade,
quando o rosto olhou-o no assombro
e duvidou reconhecer, naquela noite, truco
do tempo,
e ainda desde a madrugada seguinte,
que caberia ensaiar as cores e formas
do nunca rubricado
no meio do peito.
Como se já fosse uma única extensa metafísica
na única linha em azul de leve,
naquela urgência de ter a ideia de tempestades,
começa a observar que pode a tal noção de nós
(no século XXI) precipitar outro intervalo certo
em escala mínima, quieto, exceto de si para dó,
ou jogo outonal
sobre folhas secas e sem saber
ao
cair com elas
que é, no início,
morrer
de amor.
E, penetrantemente,
com o medo em riste,
olhando-o de frente,
perguntou ao criador qual era o seu nome,
e ouviu que apenas criação é o que existe
e que era hora da criatura estar com fome
e comeu descrente.
Isto equivaleria a dizer no máximo
(sempre dizer no máximo)
que quem nos escreve nos deu esta resignação por hexâmetro;
mero utensílio a cabeçorra
que demais amais assim tão viciosa
porque nos sabe à música;
que ela voltou da sala de sem-razão para ser nossa antagonista
em seu alcance de Occam;
que a escrita de contrários não fura
o que transverberado está;
e que isto, no fim, a náusea ardente de rever o que escrevemos,
só está em quem é escrito.
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