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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

TRANSATRAVESSADOS

28 de março de 2013

Círculos de Confusão


Para obter o ângulo certo
ao procurar o dia perfeito
era preciso olhar de perto
as distâncias que espreito?

Haverei de ver brilho tão alheio
ali em baixo quanto lá em cima?
Caberá aqui em mim se no meio
é tão menos luz do que enzima?

Onde estarei mais quente
se dispenso qualquer dica
que me faça ver de frente
a solidão que me duplica?



21 de março de 2013

Poesia


Será ela aquela, a que Eu cria? Era já bela criada como acre dito?
Resigno-me ao signo ou resigno-me ao nome: esse sonho enorme.

Desta vez posso não ter me lembrado de tudo antes de recomeçar.
Tudo está perdido, e desta vez para todo o sempre. Achais o quê?

Nada nos espíritos a menos se a mais e estáveis tão alto que dê pé.
Transatravesso o Ser, já que eu, humano, desci para si, o consigo.

Faço tudo o que posso, mas fazer o que não posso é bem melhor:
                                                                é passagem só de volta,
                                                                     aí entro em colapso
                                                                              e lá me sento.
                                                                                     Sente-se.
Minha barba hoje cresceu um ano. Serão cordas de viola. É vossa.

Havia um buraco na caixa e nesse buraco uma caixa sem buracos.
Ali dentro dessa caixa haverá outras caixas ou apenas um buraco?

Escapo desse pensamento para ir pensar o cérebro em meu crânio.
                                                                                      Nascente,
                                                                                lá dá cócegas
                                                                         em termos cãibras
                                                                   no sentido: rio imenso,
pois congraça até me desaguar na ideia insensata, oceânica mente.

Viram coisas? Eu sim: visões de época, dadas vezes. Verão o quê.
Viremos um pouco de lado esse longe, com amor e sem bagagem.

A minha vida imita a arte sem razão de eu devolver esta reflexão.
O espelho me parte e sangra por inteiro. Para melhor te imaginar.

Transatravesso o Ser, já que eu, humano, desci para si, o consigo.
Nada de novo, estilo borboleta. Sentir é pensar com o corpo todo.



14 de março de 2013

aminhaversão


eu odeio a poesia!

para tanta alegria,
o meio: é preciso
um sorriso no ou-
vido
(bétula, bálsamo),
consolação; alívio
o vinho generoso,
velho e excelente.

olho no todo pre-
cioso
(de ciúmes, zelo),
como pelo desejo
o quê mais intacto,
mas ainda quente,
se jamais lia o que
après cio e re-seio.

poesia? eu a odeio.



7 de março de 2013

Seres, Sóis e Sinais


Sonho em me aculturar
por um contato estreito
com um amigo primitivo,
porém não consigo achar
o sujeito de estudo vivo.

E entretanto,
infelizmente,
há mais morto
do que vivente
e posso herdar,
na era moderna,
somente a cultura
daquele velho horto
escrita na caverna-lar
que figura em seu canto.

Ir pelo bonito sítio rupestre
repleto de estranhos petróglifos
a céu aberto e parcialmente submerso
em afloramentos rochosos areníticos, graníticos.
Ler em páginas de pedra os sonhos esquecidos,
fotodocumentados, georreferenciados,
uma vez escritos diante do fogo
no escuro antigo do tempo.

“A arte primitiva requer restauro?”
“De origem indígena pré-colonial,
é a forma pré-histórica
de comunicação visual
alheia a nossa era pós-histórica?”
“As linguagens gráfico-simbólicas
da comunidade autora
serão tão hiperbólicas
como uma nova arte promissora?”
Interrogava-se o Saussuressauro.

Na caverna 
nada o-
mito.