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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

TRANSATRAVESSADOS

4 de abril de 2013

Emilly


A minha mulher tem dois éles
e se desloca elástica em mim
                                              e voa para dentro do próprio sangue
                                                                por fora do corpo e de si
                                                                             quando me ama
                 e dança.
Jovem virgem que lê e dança a mais bela
minha namoramada mulher
quer me desposar
                            quer-me na primavera.
Quero-lhe o hímen, a mão, o sim e o sim.
Quero-a então para sempre só para mim.
Tira-me do sério (ó Destino)
e para dançar fora dos livros. E ela lê e me lê com éles nos óculos-
                                                              ósculos tranquilométricos
e me ama. Amo-a. Ela tem asas nos olhos e nos éles do meu amor 
sem calcinha. Ela é só minha.
Bela musa virgem se isso é possível não é possível depois de mim:
ela a quem sempre amar à primeira vista,
sangrada pelo poeta-plateia,
                                              volta ao corpo a escrever nua no ar
                                              o poema que com dois éles me cala
                                              ilegível no infalível fim que se infla
                                             com quem é o escolhido a deflorá-la.
Ela a mulher artista a melhor conquista a única que desejo cantar
                                               pois este fauno alcançou sua ninfa.