TRANSATRAVESSADOS

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25 de abril de 2013

anatemancipação

toda metáfora é metade
e dura fura cada áfona plêiade que evade
que
chic é ser maudit Poète
a declamar com chiclete
se vós exilados de Babel
ouvis nesta voz de papel
que
toda paráfrase parafusa
e gira e pira cada crase se abusa da musa 



14 de março de 2013

aminhaversão


eu odeio a poesia!

para tanta alegria,
o meio: é preciso
um sorriso no ou-
vido
(bétula, bálsamo),
consolação; alívio
o vinho generoso,
velho e excelente.

olho no todo pre-
cioso
(de ciúmes, zelo),
como pelo desejo
o quê mais intacto,
mas ainda quente,
se jamais lia o que
après cio e re-seio.

poesia? eu a odeio.



6 de dezembro de 2012

este poema sobre a cama



com todo o seu verso deitado nos lençóis em folha
essa musa de palavra dada por literatura
cumpriu ser despida de prosa
e lida ao pé da letra da cama da página à escolha
porque é bem feita de metáfora a gostosa
a olho nu tesuda poesia pura

penetrável por todos os lados
e em todos os sentidos obscenos
com ritmos e metros rimados
é uma heautontimoroumenos
se joga como um lance de dados
prova em si todos os venenos

o mar íngreme das escaladas
no trajeto do sol de lentejoula
a eclipsar réplicas
lar de líquenes as namoradas
cujo muco e dialeto de crioula
entendo no dente
um par de ímpares baforadas
no suco concreto de papoula
para o ápice épico

e cada quase êxtase conjurado no sexo
dentre as rugosas
separa lisa se paralisa
no pau do amado em anexo
quando com todo teu ventre gozas
essa frase com ênfase que te simboliza

em delírio curtido em martírio invertido
na luminosa figura na numinosa altura
da macabra queda da cama quebrada


26 de junho de 2012

inf(lux)o


para Claudio Willer

“Sweet sweet sweet sweet bulbs grow in m' latest garden
[...] Come talk freely in the garden of m' lady“
CAPTAIN BEEFHEART

saio do museu da minha língua
quando disso ouvi meu pensamento
dissolutamente e dissolutamente
a ascender os pulmões com pirulitos de câncer
nos foguinhos azuis de bumba-meu-blues
em meus fones de canção e olvido
com que cruzo o rush com a avenida na garganta seca
de uma idade relativa a doar
aos pobres que abundam e podres moribundam
antes d’eu penetrar no público dédalo da provocação
o Jardim da Luz e vírgula
a me reiniciar na verdade do Já alascincodelatarde
quando me corto em particípio sentido horário
a tentar pescar com minha vara de água
naquela velha agádoizó o que os dois olhos não agarram
já aquela se volatilizou do brusco buraco do silêncio
que estes meus furolhos lacrimais alamedram
entre as árvores altissonantes do vento gerúndio
das fagulhas-farpas que nos farrapos são caos e efeito
a encenar um incêndio teatral de trovões e fosfenas
quando me vira a cara o busto-fantasma do risorgimento
que me faz farra ou pilha
como o peixe solúvel que é este Garibaldi
coroando o paisagismo nouveau d’outras fontes
se com isso tutti importas giratórias da recepção
na ágora ou nuca da sua cabeça
bronzeada de fraternidade
quandonde as aléias sem azaléias
me voam raso e/ou taxiam tortuosamentindo
rumo à gruta-agrura artificial
que já a curto prazo se avista cansada
de ser buraco de se descer horizontológico
quando o sol se põe atrás da estação no inferno
ao objetivocaso mais grotesco
do que o que nos grita essa gruta bocarrazão
Deméters por segundo sombra
donde o cimo tem uma altura-queda
para o ar marchetado de aves rupestres
criançando as brincadeiras
par A.k.a. Bar com o juízo de Deuzebu
entre as putas velhas mais gordas do que o clamor louco
enraizadas no mundo d’arcana décima sétima hora-treva
da árvore cujo fruto é ainda outra árvore
que dá frutos em miração do caminho
do parquinho de sexofone
semeado de preservativos da véspera
cujos velhosábios peripasseios de Tirésias
e más companhias ilimitadas
das estatuazinhas aos quatro ventos musicantes
que senti nelas a guarda e a túnica baixa
que as oito leminiscatam cardinalícias ao arcano redor
do verde-Cézanne mais central e tão depressionista  
de carpas e cágados e tudo que nada a girarodar
nos dez ligados chafarizes na hora e na vez
do chá inglês fazer risos antes que eu me esqueça
ante os alvos tesões em branco em cada pau incircunciso
doente de ouro ou romances de copo e espodo(mancia)
nos quais delira cada uma das verves
das retaguardas artísticas ao passar
no alto capitaneando o coração de carne
por sobre a mágica banda no coreto  
das aposentadorias anacoretas fazendo e feito dominó
quando da passagem do psicotrópico de capricórnio
soterrados por estas minhas folhas
no último anil da abóbada celeste
esporeando o meio-pau dos suicidas
que castraram a própria lida noutro buraco
e eu a cavá-lo por um reino troco de pé e demão
ao verouvir num au revoir de pássaros
o rubromoinho de can-cansaço
da jovem mulher rara a se aproximar de mim
e ela minha truta se quer ar agonizar
camponesa do Pari que é
a me replicar cada ditirambo
do principal clown-dio da poesia brasileira
que vejo bem ali n’adjacência alucinante da cicatriz de X
que ela tem na brecha da face visível
que me desmascara e até dá algum barato no labirinto
quando às seis os apitos da segurança tentam avisar
este par que fecha