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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

TRANSATRAVESSADOS

6 de junho de 2013

Homem que é-homem, como Genésio, depois de morto, rasteja inda diversas léguas. Serpenteara de érrepente rumo Este. Num encaro de chãos, dos calçados de calçada aos barreiros do bairro, que voltariam-lhe para casa tão e calvo.  No final do expedoente de costureiro, estava com avançadidade. Ao se avistar pelo espelho, podia enxergar a calvície, podia enxergar a corcunda, podia enxergar as rugas; podia pelo menos enxergar muito bem. Genésio sabia que lhe haviam linchado sob granizo, motivo pelo qual estava bem ensopado, além de ensopapado. Outra vez através das veredades, outras vê ao dirimigir-se, pensageiro.

Ele não reagira, era contra; detestava na violência o inconteste de toda espontaniedade. Revoltava-se para o não adiantado do depoente, de encontro à rotação do tino, em desencontro com justicências... O estio da chuva veio com o estio do dia, ainda noite. Pensava caminhos na escuridão, numa escuridão daquelas que faziam brotar nele várias cabeças. Foi quandonde chegara, não em casa, mas a meio da caminhagem. Genésio penseou: estou habitado de glandes emoções, o que recinto muito. Desencloacara-se da cidade com hêsito, num êxodo de enxurrada. Quatreandando até acolalí donde se afundeava o só fim. Com seguir conseguiu apenas a duras penas covar uma cava, semeando a fofa terra consigo mesmo.

Deitado de lado, jazia inculto na jazida estéril, ajoelhado no próprio peito, iqual a feto. Raiava o outro, doirado, vindouro. Enquanto o morrido, socorrido do nascente melífluo, conjeturava: morrer por morrer mais valia ver o amanhã do sol. Genésio em tão se leveanta de dentro da própria sombra, na qual ainda se escora, e diante de um zenitão acorcorado na desvertical do fundo mais longelínquo, sabe-se há de mirar uma apariçona de umárvore, desfolhada em não mais que dez folhinhas, à contraluzular no que a via no que havia.

 Ficando de pérpendicular, abre Ivete, o canivete de ofício, que o vício da oficina não fez trabalhar a descoser umbigos a cintura alheia quando da precisão; este chovido na enferrujada véspera, o cortante fio estio do tempo de metal afiado a frio; com ele, grava no lombo do torto, desfolhado pé de planta, o nome chamado de seu memorial: “CÚ” é o que ele escreve, letras primeiras. Riscado com sete traços maiúsculos que revelam o vermelhado de dentro de por sob as aparências do pau em vida, consangrado no umbigo. Pensava alto nesse baixo relevo, câmara sempre escura que se desencarnando subia copiosa com seu mais alto repensar. De vez que na copa desse tino apassarinhou-se um pouso penoso de bem-te-vi que, a sismar, triscava o cimo da pensa-mente de Genésio em desatinada perguntação:

Pensas alto, mas mal-te-escuto, por que razão? Se te quis a ti mesmo um bruto a fugir do lume e a te embrenhar na treva analfabeta, por que agora me sai com esta de escrivinhos? Já que não aprendeu uma qualquer conta ou composição, como chega-me assim logo com tal palavrinha, um palavrão? E sem mais, sem mães nem paz, por que irrompe destarte como que parido de besta, parado na bosta, começado pela saída última? Além do que, tua exceção a ratificar todas as regras, quando mete no teu CU traçado um risco a mais, será por que agudo e inclinado o pinto-sete do próprio risco amais?

Responde Genésio: Ave, ave! É que andei, entre aspasmos, a voltar de longe nos sonos, sempre diverso, picado por sonhaduras como que de fogo, de ar de terra, de maravilhentas experianças. E, palavra, as palavras todas é queíme vem ao acasismo do movimentoda mão, na consciência, endireiteando a sinistrada ignorância que se encabrestava em mim. O tempo foi coisa preta, negrócio doido e doído do ido porvir. Eu parecia que a mim mesmo me paria. Foi quando nesse meio de tudo, para serviço de pensear melhor, na pior das coceiras da interna sarna, cobrão dos dentros, quis me fazer a sentar uma ideia, a modo carvalheiro de matutar sem tadinho. E não havendo realismismo de com que sentar um banco, planto um cá nessa casca, para acolhida em logo sob a minha caspa. Nisso é que me firmo, como quando dormido soletrando sonhos da cor dos acordados e, acordos a cor dados, apalavrei-me comigo de que Genésio não somente este-vê aqui, mas só suamente aqui está.

A minha firma-rubrica, venere-a, pus no pau que não serviu de papel, como o tal que se multiplica desde Babel. Corrijo-me defeita que com sete talhos se perfaz um pau, com quarenta e nove se faz uma canoa, então assim inteiro se parte de todo para longe do mal, e do sal se revolta à sonhação do meu gosto, a docicada uma formigando o rosto, a distar disto que bem seteselado erava nas minhas escuressencias de antanho, a pouca elípse. E quando o grande rio foi minha raciocinura, imenso e sem outra mensura que esse imarginário de assentar o poeirão internado no mim e o nominho de tudo, dessas memórias, é decerto CÚ, pois de esperto sonhei desperto com eu mesmo e minha bunda sentardos arvorando a vida do conhecimento e o conhecimento da vida para um e outro aladinho como você levar apolinizando por aí este, o um recado: que mesmo de pé nonada eu estou sentado no firmamento, que o meu CU é CÚ, tem assento.