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Poeta e ficcionista paulistano nascido em 1979, é autor do Livro Ruído (Eucleia Editora, 2011), publicado em Portugal, e das Ficções paralelas e Visões para lê-las, iluminadas por Yuli Yamagata. Traduziu Natureza, de Ralph Waldo Emerson, e Caminhada, de Henry David Thoreau (Dracaena, 2010). Seus blogues Não Fique São e Transatravés, que permanecem no ar, somam mais de 130 mil visitas.

Estudou Publicidade, História e Jornalismo. Foi operador de atendimento, agente de leitura e apresentador de televisão; agora atua como factótum de texto: redator, revisor, tradutor e consultor editorial. Mora em Sorocaba-SP, onde trabalha em casa, na Felina Oficina, afagando Lira, sua gata, e produzindo os espetáculos e vídeos de dança contemporânea de Mimi Naoi, sua esposa, com quem também mantém o projeto Fôlego, com performances nas quais recita poesia para ela dançar. Em seu perfil e página no Facebook, pratica o colunismo antissocial e publica seus textos e traduções.

Tem poemas publicados nas revistas Mallarmargens, onde é colaborador, e também nas revistas CronópiosTriploV, Germina7faces, BrasilianaDiversos Afins, Ellenismos, Raimundo, Macondo, Aedoscuritibanos, Oficina.Casulo e Pó&Teias, e nas antologias AsfaltoVinagre e Poema de Mil Faces

TRANSATRAVESSADOS

3 de setembro de 2012

Couves-flores do Mal



O que há de inebriante no mau gosto
é o prazer aristocrático de desagradar.
CHARLES BAUDELAIRE


I
Ao Fedor

Sem medo algum, dentro da treva que nauseia.
- Hipócrita fedor, meio mingau, meio feijão!

II
Intestino e Anal

Sob a benção do albatroz que pressente a elevação
Dos gases em correspondências, faróis do azar
Das musas venais e doentes de vida interior,
Castigo de inimigo do orgulho e da beleza o pum
Que a giganta de máscara solta o traque gótico;

Envolta em ondulante traje nacarado
A serpente que dança na carniça,
De profundis o processo semper eadem,
Toda ela o veneno do céu nublado
Moesta et errabunda o tonel do ódio,
Odor que é heautontimoroumenos!

III
Flatos Incontinentes

Quando te ouço peidar, minha fétida indolente,
Em meio aos sons da orquestra que se perdem no ar,
Movendo o cólon harmoniosa e lentamente,
E gaseificando essas fezes de teu forçoso bufar;

Quando farejo, sob a luz do gás que a cora,
Tua amarelada mão em mórbido recato,
Onde as flamas da morte que pões para fora,
Com teu cu que mais que cu é todo flato;

Mas eu, eu que de tão longe vos rastreio a trilha,
Que, pela narina, sei bem de onde o tal odor partia,
Como se me correspondesse a ovo, repolho e ervilha,
Transporta-me o fedor que arde, exótica perfumaria!