TRANSATRAVESSADOS

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7 de outubro de 2012

uma cidade por cabeça



o chão por entre a cabeça:
escol de capital per capita
cuja polução visual branca 
a use entardecer e não ser
a subir ao céu de aerossol.

garoa engrossa rosa russa. tussa saúva. macumba
roa a rua. pagode e pomba. chupa que é de chuva.
tambor de água que retumba e rebomba e explode.

essa escuridão
já não te alucina?
culpe a volúpia lupina.

a escrita no canteiro:
plantações dançadoras.
jardins mahjong de nadja.
dez pedras despedaçadas
sob holofote folhoso em cruz.

o dédalo ardido
de tanto gretar
o alérgico cogito.

o colar de brasas.
a barca dos lares.
o dobrar-se casal
e dor ser cabalas.
a borrasca de sal.
o lascar do sabre
a declarar bossa
e ladrar abcesso.

danou-se essa nuvem enlameada da noite
e treze flores vergadas. vergões de ser fel.
lábia reza depressa: destrezasarrepiadas.

troca-se nossa cicatriz
por escamas de vidro.
lepra lisa ou pele azul

ou esse nariz risível pelo seu queixo chique.
boca de tara. coroa dentada. mordida rouca.
lantejoulas estridentes contra o mamilo afim.
ósculo paquiderme na bochecha do deboche

e vaginas navarras cujas juras rachadas
são bigodes de corda além das orelhas
do escopo. o pescoço na louça de cílios
e cachinhos de chumbo no naco de nuca.
sobrancelhas encolhidas na tela de testa

e cada cabeçudo
em sua touca de âmbar
chapéu de cânhamo
cocar de coruja.

capacete vazio pronto para a guerra
  (e ponto para a terra).

capuz de sombra
sobre fósforo
em cobre o fogo.
derrete o que se chama palito
naquilo que escultural sorve-te.

unicidade porca à beça:
as avenidas de vacina
para veículos solúveis.
as mesmas ruazinhas a rir das unhas
do pseudodestemor do pedestrismo.
as esquinas de sequilho
ou suas siglas de galeria. 
bulevares o seu verbal
se fiz cedo de edifícios
nosso metropolitano. roto tom pineal
destas estátuas. vadio tu é tu viaduto
se cada ira irreal é reduto. escadaria
para os fumódromos em modo fórum.

cada máscara passa de uva-valquíria.
fábrica de gemidos fazendo amigos:
umbi(diálo)gos

                            em toda páginarpejo:

o mapa de outra toca onde apodreça
se um barulho de máquina machuca.
se elejo o candidato eu que apedrejo
e espirra coca e orgulho é tu novato
que encaçapa bituca
ou batuca na cabeça.

moro aqui onde penso
em neurônio e gente
no crânio tão imenso.
de morada a mente
neurológica. citadina.
até que nos redima
o meteoro de aspirina.

4 de agosto de 2012

Visita ao Sono

A entrada não é gratuita, mas barata, e se cobra simbolicamente.

Tomara que remédios? Tomara contra os tédios?
Tomara o vermelho que sim ou o azul que não?
Gregor Samsa ou o grego Tifão?

Passado o detector de metais, se nada de mais estiver presente,
cegue-se de olhos no guia do futuro para trás, e vou na frente.

A orientação essencial,
de que aqui as coordenadas egocêntricas têm valor nulo,
basta para nos nortear:

À esquerda são os fundos,
e ali as sobras de arte da Sifilização Acidental. Descontraiam-se.
Atrás fica o teto, até onde a vista alcança. Cuidado com a cabeça.
Acima há bancos onde a poupança pode descansar, logo à frente.
Adiante temos o chão. Por favor não pisar ali.
Abaixo a direita! – grito, entre outros ruídos. Fica proibido tocar
                                                                 no silêncio de ouro.

E antes de voltarmos ao ponto de partida, a praça de alimentação
aos que cumpriram nossa determinação: não entrar com comida.

A saída de emergência será através da nossa loja de conveniência.
Espero muito em breve poder revê-los
para qualquer outra visita monitorada a um dos meus pesadelos.