TRANSATRAVESSADOS

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9 de agosto de 2012

soneto pichado


as letras de noite pichadas
são palavras de outra ordem mais aberta
aqui nestas feias fachadas
da rua principal da minha cidade deserta

onde fujo pela rima dos fundos
com cadelas no calcanhar ao pular muros
e apenas por poucos segundos
chego a escapar mesmo dos piores apuros

apesar que às vezes caio e quebro a ousadia
com uma fratura exposta do meu latim
que ninguém lê ao passar aqui no outro dia

porque se outrora minha vida era um festim
já me vandaliza demais borrifar poesia
mas sigo versejando em preto fosco colorgin


4 de agosto de 2012

Visita ao Sono

A entrada não é gratuita, mas barata, e se cobra simbolicamente.

Tomara que remédios? Tomara contra os tédios?
Tomara o vermelho que sim ou o azul que não?
Gregor Samsa ou o grego Tifão?

Passado o detector de metais, se nada de mais estiver presente,
cegue-se de olhos no guia do futuro para trás, e vou na frente.

A orientação essencial,
de que aqui as coordenadas egocêntricas têm valor nulo,
basta para nos nortear:

À esquerda são os fundos,
e ali as sobras de arte da Sifilização Acidental. Descontraiam-se.
Atrás fica o teto, até onde a vista alcança. Cuidado com a cabeça.
Acima há bancos onde a poupança pode descansar, logo à frente.
Adiante temos o chão. Por favor não pisar ali.
Abaixo a direita! – grito, entre outros ruídos. Fica proibido tocar
                                                                 no silêncio de ouro.

E antes de voltarmos ao ponto de partida, a praça de alimentação
aos que cumpriram nossa determinação: não entrar com comida.

A saída de emergência será através da nossa loja de conveniência.
Espero muito em breve poder revê-los
para qualquer outra visita monitorada a um dos meus pesadelos.