TRANSATRAVESSADOS

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25 de julho de 2013

Um ano de diferença


Aos cinco anos de idade, por haver nascido em dezembro, 
meus pais tiveram a opção de me colocar na escola, 
mas preferiram me deixar mais um ano livre. 

Sempre fui o mais velho entre meus pares, 
e, apenas por tal razão, tornei-me hoje um idiota, 
já que cresci julgando que todos os outros é que o eram. 

Tivessem meus pais me matriculado um ano antes, 
teria crescido a julgar que o idiota era eu, 
e talvez pudesse estar enganado. 



4 de julho de 2013

Devoré

Se palavras de veludo molhado
fossem ditas, soaria decadente?
Seu som seria belo o suficiente
ou combinaria melhor o couro cru do brado?

[Adoente.
Enteado.]

Quero vestir bem o palavreado
para cada peça parecer fluente
sem causar impressão decente.
Estaria à flor da pele de veado
se eu usasse algo transparente.
A hora requer traje apropriado
para provar melhor ao bocado
e então indago: estou al dente?

[Enteado.
Adoente.]

E por sinal trajarei algo quente,
sobretudo por já estar atrasado.
O Tempo frio me espera pelado
para sua ceia, e seria o fim não estar presente.


20 de junho de 2013

No exame das páginas, ler meus olhos a fundo



Sobre meu nada diuturno, eis as pátinas, assumo:
lendo todo o tempo, fumo muito e pouco durmo,
sem saber se há isto que na vista aja ou se o finjo,
o que raja de vermelho o branco dos meus olhos
tal como tinjo de vermelho o branco das páginas:
ou naturalmente rajada ou artificialmente tingida,
seja em franco espelho, seja sob vernizes e óleos,
não é como leio a vida, mas como faz por ser lida. 



4 de abril de 2013

Emilly


A minha mulher tem dois éles
e se desloca elástica em mim
                                              e voa para dentro do próprio sangue
                                                                por fora do corpo e de si
                                                                             quando me ama
                 e dança.
Jovem virgem que lê e dança a mais bela
minha namoramada mulher
quer me desposar
                            quer-me na primavera.
Quero-lhe o hímen, a mão, o sim e o sim.
Quero-a então para sempre só para mim.
Tira-me do sério (ó Destino)
e para dançar fora dos livros. E ela lê e me lê com éles nos óculos-
                                                              ósculos tranquilométricos
e me ama. Amo-a. Ela tem asas nos olhos e nos éles do meu amor 
sem calcinha. Ela é só minha.
Bela musa virgem se isso é possível não é possível depois de mim:
ela a quem sempre amar à primeira vista,
sangrada pelo poeta-plateia,
                                              volta ao corpo a escrever nua no ar
                                              o poema que com dois éles me cala
                                              ilegível no infalível fim que se infla
                                             com quem é o escolhido a deflorá-la.
Ela a mulher artista a melhor conquista a única que desejo cantar
                                               pois este fauno alcançou sua ninfa.