TRANSATRAVESSADOS

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16 de maio de 2013

Praia Nossa

Ai posso quedar-me ao léu, 
embriagado de cerveja no ócio enorme, 
venha a sós o biquini obsceno, 
na sexta-feira nós à vontade 
ao fim da serra bem cômodo de chapéu. 
A praia famosa de areia fina nos dai hoje, 
despovoai as orlas extensas 
assim como nós farofamos 
aonde nos tem a pele ardido, 
e não nos deixeis cair no arrastão, 
mas limpai-nos do sal. 
Lámen. 


1 de outubro de 2012

Um espaço de cada vez ou uma década a fazer este poema



Intervalo vazio. É ataraxia
entre dois clichês,
hiato entre tédios,
menos que espaço: vírgula.

E mistério em plena deriva: zona branca
posterior à calmaria que sucede a ação,
anterior à angústia que antecede a ação.

Ato entre o lastro e o impulso,
modo do gesto que é quase efeito
no momento crucial das peripécias, avulso,
ou movimento essencial entre duas inércias do peito.

Sucessões de cessações das sensações
aptas a jazer entre um não e o não ser,
é espesso espaço, portanto. Existe ali.

Indisposição sutil para o cada vez menos vago, logo à frente,
para o pouco indulgente, para o que há devagar tão abstrato.
Lassidão com que lá se dão o algo, o impreciso e o reticente.
Interstício entre sonho e sonho, é longa pausa para o não-ato
ou dolce far niente.

Primeiro conceito de lazer do mundo, a própria Poesia a apoia.
Superfície que ascende preocupada em fazer crescer seu fundo,
a preguiça sequer boia.
Nada a fazer.