TRANSATRAVESSADOS

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23 de agosto de 2013

Serpenteologia

Imagine quem criou 
sem rabo esse Adão 
que logo criou Deus. 
Torpe criava serpente 
(em lugar da costela) 
criada a comer maçã. 
Conheceu Eva a bela 
(essa que é sua irmã) 
e só fodem de frente. 
E aí Deus criou Satã 
esse tão nobre diabo 
que criou a religião. 


16 de maio de 2013

Praia Nossa

Ai posso quedar-me ao léu, 
embriagado de cerveja no ócio enorme, 
venha a sós o biquini obsceno, 
na sexta-feira nós à vontade 
ao fim da serra bem cômodo de chapéu. 
A praia famosa de areia fina nos dai hoje, 
despovoai as orlas extensas 
assim como nós farofamos 
aonde nos tem a pele ardido, 
e não nos deixeis cair no arrastão, 
mas limpai-nos do sal. 
Lámen. 


29 de novembro de 2012

O Barco Sóbrio




Como subo impassível pelos rios na piracema,
Obediente ao sentido dessa direção aborrecida;
Preocupa-me demasiado minha carga extrema.

Pelos rios nunca segui, ancorado nessa tal vida,
E nem uma só vez me banhei naquele Poema
Do Mar, por abstemia mais forte que a bebida.

E se desejo alguma água da Terra, é a selvagem,
Cálida e clara vaga, sob a mais excitada aurora,
Na qual arroja um aventureiro cheio de coragem
O seu barco intrépido como um tubarão devora.

Mas, deveras, jamais chorei! As albas são penosas.
Toda lua me é muralha e todo sol uma carceragem;
O grave fastio me secou com sobriedades tediosas.
Que minha quilha empene! Que eu jaza à margem! 


14 de novembro de 2012

Soneto de Modernidade (Pastiche do de Fidelidade)



Em ludo ao meu leitor soarei barulhento,
Gritante e com tal apelo, para seu espanto
Que a esmo na sintaxe do pior esperanto
Nele se encaixe menos o meu fragmento.

Quero roê-lo como um cão sarnento
E se imperador hei de amarrotar seu manto
E ferir seu siso e derrubar seu santo
Para o meu gozar ou o meu experimento

E afim de que com tal alarde me censure
Quem cabe o recorte, deguste a que salive
Quem gabe essa versão, finde quem trama

Possa eu sobreviver como autor (que vive):
Que não boceja autoral, rosto que difama
Mas que verseja esquisito enquanto rasure. 



18 de setembro de 2012

E aqui, Pedro?



Há pedras para tudo. Há pedras para a pedrada,
para o ludo, o castelo, para a planta.
Concreção, cálculo, droga e granizo.
Pedra que cinzelo e ninguém levanta.
Reificação e vínculo ou broca e aviso
que quieto marreta o poeta concreto. Paraonde?
Gema rara, preciosa. Signo, suponho.
Pedra montanhosa ou para o tropeço.
Pedra de açoite que fidedigno sonho: rocha chã,
desabrocha meios e mães do avesso.
Como seios de noite, pães de manhã.
Pedra do mundo! Ó pedra de pedras,
atirada de lá de trás. O que atingirás?