TRANSATRAVESSADOS

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3 de maio de 2013

fresta

esta noite 
eu te amo 
como luz 
o artifício 
na cidade 
pensando 
o sentido 
profundo 
e radiante 
que nasce 
no insano 
e sensível 
horizonte 
sem muro 
e no quão 
logo além 
no futuro 
é o nosso 
alvorecer 
verosímil 


29 de novembro de 2012

O Barco Sóbrio




Como subo impassível pelos rios na piracema,
Obediente ao sentido dessa direção aborrecida;
Preocupa-me demasiado minha carga extrema.

Pelos rios nunca segui, ancorado nessa tal vida,
E nem uma só vez me banhei naquele Poema
Do Mar, por abstemia mais forte que a bebida.

E se desejo alguma água da Terra, é a selvagem,
Cálida e clara vaga, sob a mais excitada aurora,
Na qual arroja um aventureiro cheio de coragem
O seu barco intrépido como um tubarão devora.

Mas, deveras, jamais chorei! As albas são penosas.
Toda lua me é muralha e todo sol uma carceragem;
O grave fastio me secou com sobriedades tediosas.
Que minha quilha empene! Que eu jaza à margem! 


31 de outubro de 2012

não lugar



a minha terra sepultei no espaço
em tempo de herdar uma nova moradia
outro eu desabrigado invadiu o que faço
este latifúndio mais ermo de poesia

imagino a viagem invejoso
viajo a inveja imaginoso
imagino a imagem viajoso

      em alongada elipse de lado a lado
                                                    um ano trópico transo pensar
     em eremitério voluntário impensado
                                               um mundo tropical queria alugar
     em lugar ao justo contrário rotacionado
                                         um traslado mundano a me ver rodar
     em alado querer voragem tropica trançado
                                  um eclíptico distanciamento a me alongar


13 de setembro de 2012

União Estável



Em seguida ao felizes para sempre,
dancemos o minueto de fidelidade.
Arredonda-me bem
a fim de que ainda te sobres qualquer vão
depois que me houveres decorado.
Deslinda-me a cara
que se amortalhará com pelosinais hinduz.
Domicílio conjugal ou concílio dominical,
será a união estável, DDT estável.
Chegarei às oito menos um quarto
após oito longos trabalhos de hora.
A viver sem vigília,
morrendo de sono.
Conterás os sempiternos perfumes do mal
curtidos no tédio cinza dessa espera
e hei de com tal me embriagar bem
antes de te possuir.
Amor, já posso ir?
Saber-te-ás a coisa mais importante que há,
o que te reconsagrará rainha ao me reificar.
Fumaremos os cigarrinhos d’artista
sem atinar que são as fezes da mesma vaca
que então caberá nesse prato que me fazes,
e aos filhos: coma sucrilhos e jamais cases.
Serei já um casto
e ainda hedonista
por ter semeado aspirinas por sob os tacos.
E deitaremos embrutecidos de cetim
e cobertos de razão
a digerir o feijão de nosso amor sem mim.