TRANSATRAVESSADOS

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11 de julho de 2013

parabolae

lagos de sentido e alcatrão, 
saídas de falsas fechaduras, 
nódoa, poças de escuridão, 
tipos de arcaicas máquinas, 
cabeças com chifres, hastes, 
celibatos de linhas impuras, 
manchas de vácuo ou nada, 
oposto essencial, contrastes, 
limiares para furar páginas, 
arca anárquica de ateísmos, 
monólito ao todo, em cada, 
as palavras são vis abismos 



4 de julho de 2013

Devoré

Se palavras de veludo molhado
fossem ditas, soaria decadente?
Seu som seria belo o suficiente
ou combinaria melhor o couro cru do brado?

[Adoente.
Enteado.]

Quero vestir bem o palavreado
para cada peça parecer fluente
sem causar impressão decente.
Estaria à flor da pele de veado
se eu usasse algo transparente.
A hora requer traje apropriado
para provar melhor ao bocado
e então indago: estou al dente?

[Enteado.
Adoente.]

E por sinal trajarei algo quente,
sobretudo por já estar atrasado.
O Tempo frio me espera pelado
para sua ceia, e seria o fim não estar presente.


20 de junho de 2013

No exame das páginas, ler meus olhos a fundo



Sobre meu nada diuturno, eis as pátinas, assumo:
lendo todo o tempo, fumo muito e pouco durmo,
sem saber se há isto que na vista aja ou se o finjo,
o que raja de vermelho o branco dos meus olhos
tal como tinjo de vermelho o branco das páginas:
ou naturalmente rajada ou artificialmente tingida,
seja em franco espelho, seja sob vernizes e óleos,
não é como leio a vida, mas como faz por ser lida. 



30 de maio de 2013

Buster Keaton

cara de pedra 
louco acrobata 
intrépido poeta 
quem te ampara? 
belo saltimbanco 
em preto e branco 
por que te arriscas 
às quedas e faíscas? 
talvez por travessura 
ou porventura mudez 
jamais saias do ângulo 
se não estás sonâmbulo! 
porque tu sempre corres 
veloz para a imensa ação 
e rio e choro e não morres 
nem mesmo contra canhão! 
e nenhuma vez ris ou choras 
de ódio ou de amor no cinema 
diante dos vis ou se te enamoras 
como se já projetasses este poema 



3 de maio de 2013

fresta

esta noite 
eu te amo 
como luz 
o artifício 
na cidade 
pensando 
o sentido 
profundo 
e radiante 
que nasce 
no insano 
e sensível 
horizonte 
sem muro 
e no quão 
logo além 
no futuro 
é o nosso 
alvorecer 
verosímil