TRANSATRAVESSADOS

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8 de novembro de 2012

Escher




como representar o espaço que nasce tridimensional
em um plano bidimensional como é a folha de papel
soube lá um Sr. Maurits Cornelis e não há outro igual
que fez a vida na arte do traço desconhecido de babel

obra que tende a representar construções impossíveis
verossimilhança do inteligível que condensa ou derrete
com a pena que assume realidades apenas presumíveis
forma como uma figura se entrelaça na outra e se repete

novas regras da perspectiva em distorcidas representações
de alto a baixo uma reta nos imerge na vertigem da altitude
de imagens delirantes pelos efeitos de óptica e suas ilusões
de norte a sul já se delineia aqui e distante uma longitude
e mundos geométricos entrecruzados de loucas projeções
de leste a oeste eis que esboça-se equidistante uma latitude

assim ele explora o limite e o infinito por aproximação
sonhos recorrentes em miniatura e colossais paisagens
reciclam-se o côncavo e o convexo nessa contemplaçao
mundo de reflexos esféricos brilhando como miragens

sendo fonte de qualidade técnica e estética descomunal
com régua e compasso ele faz da imagem uma marionete
um meio de caminho entre a pedra de toque e a filosofal
em diversos níveis nos quais o nosso olhar se intromete

o preenchimento regular do plano nos mosaicos e padrões
recompatibiliza tudo pela extrema diferença ou similitude
de corpos matemáticos em seus estudos e compenetrações
as inesperadas embora constantes metamorfoses a que alude
nos olhares vertiginosos de todos os ângulos das construções
com improváveis prestidigitações com que a página nos ilude

agravam-se simetrias imbricadas em suas gravuras
nos contrastes peculiares e meios-tons da percepção
perspectivas delirantes de litografias e xilogravuras
em paradoxos visuais com que desenhará distorção

assim nossos olhos desenham estas e outras viagens
que cria o Sr. Maurits Cornelis por obra de um traço
e une os versos da imaginação em pictóricas imagens
um indivíduo em múltiplos e o todo em um só pedaço

31 de outubro de 2012

não lugar



a minha terra sepultei no espaço
em tempo de herdar uma nova moradia
outro eu desabrigado invadiu o que faço
este latifúndio mais ermo de poesia

imagino a viagem invejoso
viajo a inveja imaginoso
imagino a imagem viajoso

      em alongada elipse de lado a lado
                                                    um ano trópico transo pensar
     em eremitério voluntário impensado
                                               um mundo tropical queria alugar
     em lugar ao justo contrário rotacionado
                                         um traslado mundano a me ver rodar
     em alado querer voragem tropica trançado
                                  um eclíptico distanciamento a me alongar


23 de outubro de 2012

De uma vez por todas

Aoristo, o passado é imprevisível.
E o amanhã “adeus, past tense!

Há o novo a predizer o velho predizendo
passados a cumprir vaticínios futuros.
Compridos comprados comprimidos.

A vida como sucessão de spleens
e a História, acúmulo de Tédios.
O porvir, amigo de longa data.

(Ruído desde a pré-história, um clássico!
Alta ou baixa, qual sua idade média?
Ainda que tardia, modernidade?
Era tããão contemporânea... E há pós?)

O Agora, uma cronologia passageira,
se o Tempo é essa sina assaz sina.
E se profetizar o que já aconteceu,
foi a recordar o que acontecerá.

Parece que o mundo acabou, mas apenas começa.
Resta a esperança de um passado cada vez melhor.